First International Conference of Young Urban Researchers (FICYUrb)
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Cintia Emilia Salomão Castro

A construção das identidades étnicas através dos meios de comunicação de massa nos espaços culturais urbanos

Cintia Emilia Salomão Castro
Universidade Ca' Foscari de Veneza

     Full text: PDF
     Last modified: May 27, 2007
     Presentation date: 06/11/2007 4:30 PM in ISCTE-II B201
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Abstract
Resumo de Dissertação para T05 - Políticas, práticas e identidades culturais


Muito mais que uma fantasia individualista, a imaginação deve ser concebida como um recurso social fundamental à experiência humana de comunicação e de construção da hegemonia social. Esse pensamento, defendido nas obras de Gramsci e Appadurai, parece sintonizar com as idéias de Said que, com o seu Orientalismo, montou as peças do quebra-cabeça histórico que nos ajudam a perceber como foi construída ao longo de séculos a polaridade cultural, uma das maiores que conhecemos, entre “o oriente” e “o ocidente”, existente desde os tempos das Cruzadas e que percorre a imaginação dos cidadãos do mundo até hoje.

A discussão passa pelo papel assumido pela mídia na construção de tais identidades culturais que ocupam a imaginação humana, um fenómeno
típico das cidades urbanizadas com seus holofotes, outdoors, perfomances publicitárias que propagam os arquétipos do universo
urbanizado: em fotos e imagens, carros, calças jeans, arranha-céus, executivos, tráfico e semáforos povoa a imaginação das comunidades que tiveram as as cognições creativas "urbanizadas", pois a urbe simbólica nem sempre coincide com a completa onipresença do asfalto, podendo
vir antes mesmo desta ultima. Trabalhamos com a idéia de Giovanna Boccia Artieri, para quem os meios não constituem somente instrumentos de mediação do mundo, mas sim verdadeiros lugares da experiência contemporânea: são a nossa principal agência de socialização, propagando modelos culturais simbólicos de referência e dando forma às nossas experiências cognitivas. Entretanto, devido à sua natureza, fazem da experiência cultural uma reação emotiva gerada através do consumo de um produto externo (e industrializado). Até aqui pode não haver novidade para muitos de nós, porém o mais interessante é analisar todo esse cenário no contexto das grandes imigrações internacionais na era da troca de e-mails, da transferência online de informações, dados e dinheiro, do comércio e difusão de DVDs, CDs, MP3 e programas em várias línguas captados pela antena parabólica da casa dos imigrantes. As fitas de Bollywood –como é chamada a indústria cinematográfica indiana, a maior do mundo em número de produções– são maciçamente comercializadas ao público que usa as cabines dos callcenters para falar com suas famílias mundo afora, enquanto nas lanchonetes de kebab (o mega sanduíche de origem turca com carne de carneiro, salada e pimenta que virou moda na Europa) a TV sempre ligada em algum canal marroquino ou argelino atrai olhares árabes sedentos por notícias de seus países e fazem cair o queixo do europeu cristão ao ver duas pugilistas muçulmanas trocando socos, cobertas com véus, mas tão empenhadas na luta quanto Mohamed Ali.

Neste cenário, onde os autóctones europeus de um certo gusto liberal compram artesanato “étnico”, e escolhem discos nas estantes de música “étnica” das lojas e vão a festas “étnicas” (a música brasileira participa do jogo exótico categorizada como música “latina”, e o público médio acha que samba e salsa são quase sinônimos), não se fala mais em raças, mas em etnias ou culturas.

Faz-se uma leitura na qual a palavra cultura ou etnia parece ter simplesmente substituído a traumática “raça”, mas o conceito racista não muda, somente se traveste: fixo, essencialista, imutável, “ahistórico”, quase natural e biológico, distorcendo a característica histórica (logo, mutável) de todas as identidades culturais. A “etnização” das identidades culturais e do próprio conceito de cultura ganha forma na produção midiática européia, podendo ser mesmo oficialmente favorecida: no texto Tuning into Diversity, Imigrantes e minorias étnicas nos mídia - uma pesquisa-conferência organizada pela União Européia – propõe-se como solução à representação midiática negativa do imigrante nos países europeus, um problema que vem sendo admitido nos últimos anos, a “formação dos jornalistas por um profissionalismo consciente e respeitoso em relação à diversidade étnica, a qual requer uma elaboração mental particular”. Um problema político vira claramente um problema étnico.

O fato de que a empresa líder mundial do mercado de transferência internacional de dinheiro – a Western Union – tenha criado uma empresa de comunicação e publicidade buscando ocupar os imaginários de auto-representação dos imigrantes de países de terceiro mundo nos espaços urbanos europeus a partir das agências internacionais de envio de dinheiro, telefones publicos e internet point através do seu maior agente na Itália chamada Etnocommunication, distribuindo 15 jornais em 15 idiomas a 15 “comunidades étnicas” e planejando o seu “etnomarketing” evidencia as conexões (ou junções) entre os mercados econômico, financeiro e o midiático, e a utilidade da “etnização” mediática para tais empreendimentos. Todos elementos que participam ativamente da construção das identidades culturais nas representações urbanizadas dos imaginarios coletivos.

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